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País alcançou resultados expressivos na temporada com Counter-Strike, League of Legends, PES e Starcraft 2. Immortals surpreende e fica com vice mundial no CS:GO

O Brasil é cada vez mais o país também do esporte eletrônico. Em pouco mais de sete meses de temporada corrente, o país subiu em diversos pódios e mudou de patamar ao acumular títulos e resultados expressivos, sobretudo em torneios internacionais. E mais: em games diversificados – o que ratifica a pluralidade de talentos. O país teve sucesso só este ano no Counter-Strike: Global Offensive, Pro Evolution Soccer (PES), League of Legends e Starcraft 2. O último foi o inesperado vice-campeonato da Immortals no Major de Cracóvia, espécie de mundial de CS:GO, em meados de julho.

Immortals; Major de Cracóvia; CS:GO (Foto: Reprodução / Instagram)
Immortals surpreendeu e ficou com o vice mundial em Cracóvia, na Polônia (Foto: Reprodução / Instagram)

Formada exclusivamente por brasileiros, a line-up de CS:GO da Sk Gaming continua sendo o maior exemplo de sucesso nacional no exterior. Na atual temporada, o quinteto formado por Gabriel “Fallen”, Fernando “Fer”, João “Felps”, Epitácio “Taco” e Marcelo “Coldzera” acumula nada menos que cinco títulos internacionais: CS Summit, IEM Sydney, DreamHack Summer, 3ª Temporada da ECS e ESL One Colônia. Excluindo Felps, contratado recentemente, o restante do elenco é o mais bem pago da história do game. Só com premiações ao longo do tempo, cada um lucrou R$ 1,7 milhão.

– A gente quer entrar para história, ser a melhor equipe de todos os tempos. Ganhar tudo que for possível. Este é o objetivo principal nosso. Nossa ideia inicial era voltar a ser o melhor time do mundo. Agora, vimos que dá para ser muito mais. Estou representanto um país inteiro – sonha João “Felps”.

Além do sucesso para lá de consolidado da Sk Gaming, a Immortals, outro time de CS:GO formado 100% por brasileiros, até então fora do hall principal global, mudou de patamar ao chegar ao topo do mundo com a segunda colocação no Major de Cracóvia. De acordo com o site HLTV.org, especializado no game, a Sk Gaming é a melhor equipe do mundo no momento, e a Immortals ocupa agora a sexta posição.

Guilherme Fonseca; GuiFera; e-Brasileirão (Foto: Thiago Correia)
GuiFera é o atual campeão mundial (Foto: Thiago Correia)

SUCESSO ABSOLUTO NO FUTEBOL VIRTUAL

No futebol eletrônico, nenhum outro país tem tantos talentos em diferentes títulos como o Brasil. Aliás, o paulista Guilherme “GuiFera” Fonseca, de 18 anos, é o atual campeão mundial de Pro Evolution Soccer (PES). O título, inédito para o país, foi conquistado no mês de junho em Londres, na Inglaterra. O jovem embolsou nada menos que um prêmio de US$ 200 mil (R$ 628 mil, de acordo com a cotação atual). Além disso, o país teve outros dois representantes entre os melhores do continente: Henrykinho e Rigner Barbosa.

– O título mundial foi um divisor de águas, sem dúvidas. É o primeiro do Brasil no PES. E, claro que depois disso, os olhos ficam voltados para o Brasil. Temos aqui os melhores jogadores, em alto nível. Acredito que é um cenário que só deve se desenvolver no futuro – analisou GuiFera.

No Fifa, o Brasil exportou talentos para organizações internacionais. Rafael “Rafifa” Fortes foi contratado pelo Paris Saint-Germain. Ele, inclusive, estará no mundial do game ao lado de outros dois compatriotas: Lucas “Lucasrep98” Gonçalves, ciberatleta do Goiás, e o gaúcho Henrique “Zezinho23xx” Lempke. E não para por aí. Outro nome com reconhecimento internacional no título é Wendell Lira, ex-jogador de futebol profissional e vencedor do Prêmio Pukás 2015.

LOL E STARCRAFT DOMINAM CENÁRIO DA AMÉRICA LATINA

O League of Legends também engordou o pote de sucessos brasileiros em terras estrangeiras. Red Canids e Keyd Stars, atuando em conjunto, levaram a primeira edição do Rift Rivals, espécie de “Libertadores” do game. O título era considerado por especialistas uma obrigação brasileira diante de rivais mais frágeis. Porém, embora seja recnhecidamente o maior cenário da América Latina, o LoL brasileiro ainda tem difculdades em competições de escala global.

Rift Rivals Keyd Red Canids (Foto: Divulgação / Riot)
Red Canids e Keyd Stars dividiram o título da América Latina no LoL (Foto: Divulgação / Riot)

– Em termos de estrutura, o CBLoL não deve nada para as grandes regiões e está à frente de muitas outras. Tanto em relação à liga, quanto em relação à estrutura das equipes, comissão técnica… A maioria das equipes brasileiras contam com treinadores, analistas, psicólogos e algumas até tem seu próprio fisioterapeuta e nutricionista. Em termos de nível de jogo, as equipes brasileiras ainda estão atrás de regiões mais antigas, como a norte-americana, europeia e as asiáticas. Mas é um processo de evolução e acredito que estamos no caminho certo – disse Gustavo “Melão”, comentarista da Riot Games.

Falando em hegemonia continental, o Brasil também tem esta primazia no Starcraft 2. Diego Kelazhur domina atualmente o cenário regional do game. Ele é o atual campeão da Copa América e da 2° temporada do torneio. Morando atualmente nos EUA, o jovem jogador acredita que pode alcançar o topo global num período próximo.

– Ultimamente o Brasil tem sido mais respeitado internacionalmente. O país tem se destacado muito, em muitos games. Crescemos muito em popularidade. Agora que me estabeleci entre o top 8, top 4 nos campeonatos internacionais, um título não é nada irrealista. Se não for este ano, definitivamente no próximo eu alcanço um título internacional. É seguro dizer que um troféu está vindo para o Brasil em breve – projetou Kelazhur.

League of Legends, Counter Strike, Starcraft 2, Fifa, PES… No esporte do futuro, o Brasil mostra que o talento está mais do que presente nos que vestem verde e amarelo.

* Com colaboração de Thiago Lopes e Alessandro Jodar

Fonte: SportTV